ESPORTES EM NÚMEROS

NOVOS RECORDES

 

25/12/2005 - Atletas perdem patrocínio da Brasil Telecom

Uma das principais empresas patrocinadoras do esporte brasileiro está, aos poucos, abandonando o segmento. A Brasil Telecom (BRT), que atualmente dá incentivo financeiro a mais de 160 atletas, eventos e equipes de modalidades olímpicas e radicais cancelou os contratos de alguns esportistas do País. E esta medida atingiu diretamente três brasilienses. Dois deles, atletas olímpicos. A nadadora Rebeca Gusmão e a triatleta Mariana Ohata, que estiveram nos Jogos de Atenas, não contam mais com o apoio da empresa de telefonia. O nadador João Pedro Morais, em início de carreira, também perdeu o apadrinhamento.

Mas nem todos os patrocinados pela empresa passarão o Natal e as festas de fim de ano de bolso vazio. A BRT anda não divulgou a lista com os cortes e permanências, mas até agora o time de vôlei feminino da BRT, representante do Distrito Federal na Superliga, e o velejador Robert Scheidt, octacampeão mundial da classe Laser, por exemplo, continuam recebendo o apoio financeiro. "Não estou sabendo de nenhuma mudança. O time tem contrato para esta e para a próxima temporada", afirmou Renan Dal Zotto, coordenador de vôlei da BRT. "Acho praticamente impossível o time sair da Superliga. Seria o caos", acrescentou.

Na lista dos que perderam a injeção financeira, também constam o paranaense Juraci Moreira e a carioca Sandra Soldan, ambos triatletas olímpicos. "No fundo, no fundo, todo mundo esperava mudança. Mas não que fossem tão drásticas. Perder esse apoio significa um corte imenso de dinheiro. A conseqüência é competir bem menos. O calendário será racionado", disse Sandra.

Sobrou até para a Confederação Brasileira de Triatlo (CBTri). No começo da semana, a BRT ainda era a patrocinadora oficial da entidade, mas também rescindiu o contrato. "Não vejo problema algum. Uma das cláusulas já previa que, caso a empresa mudasse de política, ela poderia desistir do patrocínio", minimizou Carlos Fróes, presidente da CBTri. "Sabemos que somos um bom produto e já estamos em busca de novos patrocinadores", completou. No caso da Confederação de Triatlo, a perda também significa uma bela redução na conta bancária.

A BRT, por meio de sua assessoria de imprensa, justificou o fim dos contratos sob a alegação de que está sendo feita uma reavaliação de patrocínios em geral e deve haver um redirecionamento dos investimentos de marketing da empresa. Tudo isso é conseqüência das mudanças na diretoria. Em setembro passado, o economista Ricardo Knoepfelmacher assumiu o lugar da ex-presidente Carla Cico.

Surpresa

Os cortados foram pegos de surpresa e receberam a notícia na quinta-feira. "Estou muito chateada e abalada com essa situação. Hoje, um atleta de ponta não sobrevive sem patrocínio. Eu vivo disso e tenho contas para pagar. Agora tenho que correr atrás de outros incentivadores", reclamou Mariana Ohata, que tinha contrato até 2008 com a BRT.

A triatleta diz que o corte não poderia vir em hora pior. "É brincadeira. Estamos a um ano do Pan-Americano, no Rio de Janeiro, e a dois das Olimpíadas, em Pequim. Depois as pessoas vêm cobrar resultado do atleta brasileiro", disparou Mariana.

João Pedro Morais lamentou a decisão da BRT, mas reconheceu que isso poderia ocorrer a qualquer momento. "Desde que mudou a direção da empresa, eu já esperava essas mudanças. Não sou o primeiro atleta que passa por isso, faz parte da vida de qualquer competidor", disse resignado, o nadador.

Para João Pedro, a perda do patrocínio não pode atrapalhar o seu rendimento nas piscinas. "Claro que me surpreendeu, mas não diminui em nada a minha motivação. Isso vai me dar mais vontade para conseguir outros patrocinadores", afirmou o nadador candango, dono do melhor tempo do País nos 100m borboleta na categoria juvenil II (16 anos).

Já Rebeca Gusmão, que conquistou na semana passada, em Santos, índices nos 50m e 100m livre para disputar o Mundial de Piscina Curta de Xangai, na China, marcado para abril de 2006, preferiu o discurso mais político. "Agora vou ter que correr atrás. Preciso de patrocínio, mas só tenho a agradecer a BRT. Eles me deram todo o suporte de academia e fisioterapia", disse a atleta, que no início do ano passou seis meses em treinamento na Flórida (EUA), bancada pela ex-patrocinadora.

Voltar