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21/01/2006 - Copa do Mundo de Natação: Ucraniano bate recorde mundial em Berlim

A etapa de Berlim da Copa do Mundo de natação é conhecida pelas grandes performances que acontecem quase todos os anos, sempre com recordes e grandes nadadores. A piscina, considerada uma das mais rápidas do mundo, já testemunhou provas históricas como o recorde mundial de Ian Thorpe nos 200 livre em 2000 (1:41.10) e o inacreditável 2:02.92 de Ed Moses nos 200 peito em 2004.

Esse ano, tomando como base a etapa de Estocolmo, o grande número de competições importantes deste ano e a ausência de muitas estrelas (dos campeões mundiais do ano passado, apenas o polonês Pawel Korzeniowski e o alemão Mark Warnecke se fizeram presentes), a previsão era que a etapa alemã não seguisse a mesma toada dos últimos anos e que fosse uma etapa sem grandes resultados, a exemplo da etapa sueca dessa semana.

Mas parece que a atmosfera tedesca tem mesmo algo de especial. Ou pode ser também o tradicional prêmio oferecido ao melhor índice técnico da etapa, um carro Golf VW. O fato é que um nadador ucraniano, que teve seu melhor momento há quatro anos, quando bateu o recorde mundial dos 50 peito nessa mesma piscina em 26 de Janeiro de 2002 com o tempo de 26.20, deu um brilho especial ao circuito deste ano ao superar a primeira marca mundial do ano. Oleg Lisogor, que raspou e se preparou especialmente para esta competição (isso explica porque não nadou tão bem em Estocolmo), superou sua própria marca por três centésimos com 26.17, tempo que muito provavelmente lhe dará o tão cobiçado carro. "Não estava pensando no carro, mas seria ótimo ganhá-lo, um presente extra pelo meu 27º aniversário que foi há dois dias".

Lisogor é um especialista nessa prova, especialmente em piscina curta (apesar de ser também o recordista na longa). Por isso não é um nadador considerado uma grande estrela mundial. Mas como seus principais resultados acontecem em Copas do Mundo, onde as provas de velocidade são o principal atrativo, nesse contexto ele é um dos reis. Não por acaso sua performance de hoje lhe dá o segundo lugar geral no circuito com 1063 pontos, 26 atrás do sul-africano Ryk Neethling.

Em uma etapa que sempre foi tão pródiga em grandes resultados, seria estranho que o recorde de Lisogor fosse o único grande resultado do dia. Atrás do ucraniano, o maior destaque foi a britânica Melanie Marshall. Na única prova que viu um recorde mundial no circuito atual antes desta etapa, os 200 livre feminino, (Lisbeth Lenton na etapa australiana), Marshall superou o recorde europeu da sueca Josefin Lillhage com 1:54.53, 4ª all-time, resultado muito comemorado pela nadadora. "Não esperava nadar rápido assim, simplesmente aconteceu", disse. No entanto, quem conseguiu levantar a torcida foi a local Annika Liebs, segunda colocada, com o tempo de 1:55.19. Pudera: esse tempo superou o recorde alemão que pertencia há 13 anos a ninguém menos do que Franziska van Almscik.

É preciso mencionar também os bons resultados obtidos nas provas de costas feminino. Nos 50m, a alemã Janine Pietsch, recordista mundial em longa, conseguiu seu melhor tempo, 27.20, chegando perto do recorde mundial da chinesa Hui Li (26.83). Nos 200m, ninguém chegou perto do dificílimo recorde mundial de Natalie Coughlin (2:03.62), mas a japonesa Hanae Ito bem que tentou. Virando para os últimos 50m com apenas 9 centésimos acima da parcial do recorde mundial, o piano caiu, mas mesmo assim conseguiu melhorar seu tempo em 45 centésimos (2:05.67) e deixou a impressão de que, com um pouco mais de treino e experiência, pode ser uma das grandes nadadores da prova nos próximos anos.

Falando nos japoneses, seus nadadores foram os maiores vencedores do primeiro dia com quatro ouros, um a mais que os donos da casa. Assim como Ito, Hidemasa Sano (400 medley masculino, 4:06.85) e a campeã olímpica Ai Shibata (800 livre, 8:18.76) repetiram suas vitórias de Estocolmo. Maiko Fujino conseguiu a vingança nos 200 medley, vencendo com 2:09.54 sobre a polonesa Katarzyna Baranowksa, de quem tinha perdido o ouro na etapa sueca.

Os principais nadadores dos Estados Unidos conseguiram vitórias em suas provas: Tara Kirk (1:05.63 nos 100 peito) e Randall Bal (51.41 nos 100 costas). Apenas uma ponta de decepção para Peter Marshall, recordista mundial dos 100 costas e vencedor em Estocolmo, que ficou apenas na quarta posição.

O único nadador alemão campeão mundial no ano passado, o veteraníssimo Mark Warnecke, sequer conseguiu passar à final dos 50 peito. O outro campeão mundial presente, o polonês Pawel Korzeniowski, teve mais sorte, tendo dificuldades para ultrapassar o alemão Helge Meeuw apenas no finalzinho dos 200 borbo para vencer com 1:53.08.

As provas de livre masculino hoje foram para a nova geração: o francês Alain Bernard foi o único abaixo dos 48s nos 100 (47.90) e o alemão Paul Biedermann ultrapassou o experiente romeno Dragos Coman nos últimos 25 metros para vencer os 400 com 3:41.94.

Outros vencedores do dia: a sul-africana Mandy Loots nos 100 borbo (58.42), o alemão Thoma Rupprath nos 100 medley (53.32), a holandesa Marleen Veldhuis nos 50 livre (24.32) e o ucraniano Sergiy Breus nos 50 borbo (23.30).

Os brasileiros foram a Berlim com a mesma equipe de Estocolmo com exceção de Kaio Márcio e Gustavo Girotto. Jorge Augusto Azevedo foi o que mais chegou perto de uma final, nos 50 borbo, ao empatar na 8º colocação nas eliminatórias com o chinês Dong Wang com 24.15. No desempate, Wang venceu por 22 centésimos com 24.08. Jorge ainda nadou os 100 livre (48º, 51.49). Poliana Okimito melhorou seus tempos da etapa sueca, nos 200 livre (32ª com 2:07.02) e 800 livre (12ª, 8:47.78), o que não ocorreu com Conrado Chede, finalista em Estocolmo nos 400 livre mas que aqui conseguiu apenas a 20ª posição com 3:50.36. Armando Negreiros ficou em 12º na mesma prova com 3:47.92.

Veja todos os recordes em piscina curta: masculino / feminino

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