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NOVOS RECORDES

 

05/02/2006 - Roger Federer a caminho dos livros de recordes do esporte

Ao vencer o Aberto da Austrália, no domingo 29, Roger Federer deu mais um passo rumo aos livros de recordes do esporte. O tenista suíço de 24 anos está há 105 semanas consecutivas na liderança do ranking mundial, três a mais que outro grande campeão, o americano Pete Sampras. Ainda faltam 55, ou pouco mais de um ano, para atingir o recorde do americano Jimmy Connors. Mas só uma lesão grave o impedirá de chegar lá. Sua vantagem de pontos é tão grande – 7.275, contra 4.615 do espanhol Rafael Nadal, o segundo colocado – que Federer pode ficar quatro meses sem jogar que continuará o número 1. Mesmo que neste ano ele seja eliminado na primeira rodada de metade dos torneios que ganhou no ano passado, ainda será líder.

Federer almeja o feito mais difícil do tênis, o Grand Slam. Trata-se da conquista, no mesmo ano, dos quatro troféus mais importantes do mundo – os abertos da Austrália, da França e dos Estados Unidos e Wimbledon, na Inglaterra. Desde que o circuito masculino de tênis se tornou profissional, em 1968, só um jogador conseguiu essa façanha, o australiano Rod Laver, em 1969. Bom conhecedor da história de seu esporte, Federer chorou na semana passada ao receber de Laver em pessoa o troféu pela vitória australiana. "Encontrá-lo significa muito para mim", disse o suíço. Laver retribuiu a gentileza: "Ele pode quebrar o recorde de Pete Sampras", disse, referindo-se aos catorze títulos do americano em torneios do Grand Slam. Federer já tem sete, e muitos anos de carreira pela frente.

O calcanhar-de-aquiles de Federer é o Aberto da França. O motivo é que, diferentemente dos outros grandes torneios, o francês é disputado em quadras de saibro, piso escorregadio que exige uma técnica diferente de jogo. Nele, o maior especialista é o espanhol Nadal, o número 2 do mundo. "Enquanto Nadal jogar, nunca vencerei em Roland Garros", declarou recentemente Federer. Exagero: no ano passado, o suíço chegou às semifinais. Perdeu para Nadal, mas em uma partida equilibrada. Nada impede que ele se vingue neste ano.

A supremacia de Federer só é comparável à que o sueco Bjorn Borg exerceu no fim dos anos 70. O domínio de Borg, porém, era desafiado o tempo todo por nomes como Jimmy Connors e John McEnroe. Federer parece não ter rivais. Em 2005, só perdeu quatro de 81 partidas. Chegou a ficar 35 jogos sem sofrer derrota. Só em prêmios, ganhou 6 milhões de dólares no ano passado. O que surpreende é que a hegemonia ocorra em uma época de intenso equilíbrio no tênis masculino. Os prêmios milionários – mais de 1 milhão de dólares nos principais torneios – atraem talentos do mundo inteiro para o circuito, o que elevou muito o nível geral do esporte. Nesse ambiente competitivo, era de prever que fosse cada vez mais difícil um único atleta se destacar do resto com tanto brilho. Pois Federer conseguiu isso, e com facilidade e elegância. Dentro e fora da quadra, o suíço é um ídolo-modelo. Não dá declarações polêmicas, mantém um discreto namoro com sua empresária e criou uma fundação que apóia crianças carentes na África do Sul (terra natal da mãe). Tanta perfeição levou recentemente o ex-tenista Jim Courier a perguntar-lhe se não tinha defeitos. "Chego sempre atrasado, não sei cozinhar e demoro para sair da cama", respondeu o supercampeão.

Fonte: Veja

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